sábado, 27 de fevereiro de 2010

Descoberta Nova Correspondência de Descartes


Foi descoberta uma carta de Descartes a Mersenne, de 27 de maio de 1641. A carta, encontrada em Haverford College, nos Estados Unidos, por Erik-Jan Bos, da Universidade de Utrecht, trata das Meditações que, naquele período, estavam sendo impressas em Paris, sob supervisão de Mersenne. A carta fora roubada a 170 anos, em Paris, pelo inspetor geral de bibliotecas Guglielmo Libri. Em 1864, Charles Roberts a comprou e a doou para o Haverford College. Desde então, não se tinha notícias da carta que, em junho deste ano, será devolvida ao governo francês.

A carta de 1641 foi escrita por Descartes no castelo de Endegeest, Leiden, e é parte de uma série de correspondências com Mersenne sobre a publicação das Meditações em conjunto com as objeções e respostas. A carta mostra que as Meditações eram originalmente organizadas de modo um pouco distinto. Até agora, não havia notícia ou resumo de seu conteúdo e espera-se a publicação no periódio Archiv für Geschichte der Philosophie.


De acordo com o site de Eric-Jan Bos, a parte mais relevante da carta encontra-se em seu final, quando Descartes pergunta a Mersenne sobre a eliminação completa de três textos: a tradução latina da quarta parte do Discurso sobre o método e os prefácios às Meditações e às Objeções e respostas. Descartes sugere que tal material seja substituído por um novo prefácio, de caráter mais geral e que corresponde ao prefácio que foi publicado. A razão para tal alteração teria sido dada a Descartes por um visitante francês, que o convenceu de que Pierre Petit, que houvera criticado duramente o Discurso, IV, não o fizera com má intenção e, por fim, mudara de idéia. Para o visitante francês, então, não haveria razão para prosseguir com o ataque virulento a Petit, perpetrado nos dois prefácios.

Segundo Adrien Baillet, biógrafo de Descartes no século XVII, o visitante francês seria o Abade de Touchelay, do qual se sabe pouco. Descartes o teria visitado em Tours em 1644 e ele seria amigo do padre Claude Picot (1601-1668), tradutor para o francês dos Principia philosophiae.

As mais recentes cartas descobertas até o momento haviam sido uma não autografada a Cornelis van Hogelande, sobre Comenius, descoberta em 2004 e duas publicadas na Studia Leibnitiana,34 (2003): JAN-BOS; VERMEULEN. An unknown autograph letter of Descartes to Joachim de Wicquefort; BREGER. Ein wiedergefundenes Autograph von Descartes. Antes disso, houve apenas a publicação de 1975.

Segue a transcrição do final da carta, publicada por Eric-Jan Bos em seu site:

J’ay vû icy Mr Picot que ie reconnois pour homme de fort bon
sens et qui m’oblige a estre fort son serviteur ie croy qu’il viendra
auiourdhuy a Leyde pour s’y arester. Il a un gentilhomme de
Touraine en sa compagnie qui m’a fait des baizemains du pere
Bourdin dont il est disciple, et aussy m’a parlé en tels termes du
sieur Petit que cela m’a obligé d’adoucir ce que i’avois escrit de
luy comme vous verres en la preface au lecteur, que ie vous
envoye pour la faire imprimer s’il vous plaist au commen-
cement du livre apres l’epitre dedicatoire a Mrs de la
sorbone, et on n’imprimera point la 4e partie du discours
de la Methode ny la petite preface que i’avois mise en suite
ny aussy celle qui precedoit les obiections du Theologien
mais seulement le Synopsis. Au reste assurez vous qu’il n’y
a rien du tout dans les obiections de Mr Gassendi qui me donne
aucune peine, et que ie n’auray rien du tout a penser qu’a l’eloquu-
tion a cause que luy s’estant exprimé avec beaucoup de grace ie
doy aussy tascher en cela de luy respondre ie suis
Vostre tres obligé et affectué
serviteur Des Cartes
Du 27 May 1641

Eric Jan-Bos também disponibiliza a tradução em inglês do excerto, que transcrevo a seguir:

I met Mr Picot here, in whom I recognize a man of good sense, and to whom I am much obliged. I believe he will arrive at Leiden today and has the intention to stay. In his company is a nobleman from Touraine who brought me the greetings from Father Bourdin, whose student he is; he also spoke of Mr Petit in such terms that I am obliged to tone down what I wrote on him in the Preface to the reader, which I send you now to be printed, if you please, at the beginning of the book, after the dedicatory letter to the Gentlemen of the Sorbonne. Neither the fourth part of the Discours de la méthode, nor the little preface I put in next, nor the one preceding the theologian’s objections, must be printed, but only the Synopsis. Finally, rest assured that there is nothing in Mr Gassendi’s objections with which I have problems; the only thing I shall have to attend to is the style. Indeed, he expressed himself with so much elegance, that I should attempt to reply in the same way. I am

Your much obliged and affectionate
servant Des Cartes
27 May 1641

Para repercussões na imprensa, veja as matérias no The Chronicle of Higher Education (Key Letter by Descartes, Lost for 170 Years, Turns Up at Haverford) e no The New York Times (Descartes Letter Found,Therefore It is).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Substância e Atributo


Encontro de trabalho do Grupo de Estudos sobre Aristóteles e Aristotelismo, com apresentação de alunos de pós-graduação da UFBA e da UNICAMP, tendo como debatedor Tadeu Verza, da UFMG. Dia 25 de janeiro, no prédio da Pós-Graduação em Filosofia, das 9h às 13h.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Moschetti, M. Galileu e as cartas sobre as manchas solares

Dois artigos do Prof. Marcelo Moschetti disponíveis na internet seguem abaixo, ampliando o material deste Caute! sobre Galileu.

O site de Massimo Vicentini permite o download de gráficos 3D animados sobre movimentos astronômicos diversos. Destaco as seguintes animações:

  • Ordem planetária das estrelas fixas
  • Evolução dos modelos de movimento planetário
  • Explicação do movimento de retrogradação dos planetas
  • Epiciclos
  • Hipótese de Kepler sobre a ordem planetária
  • Manchas solares de Galileu

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Novos Sites de Pesquisa

Dois bons sites para download de imagens, textos e documentos da História da Ciência. O Philosophical Transactions, da Royal Academy of Science, e o novo portal Gallica da Biblioteca Nacional da França, A França no Brasil.






Manchas Solares

Tábua extraída das Tres epistolae de Scheiner (1611)

Comentei em sala de aula sobre os estudos de Galileu sobre as manchas solares. Há controvérsia sobre a origem dos estudos sobre as manchas solares, observadas pelo telescópio. É possível que Galielu e Thomas Harriot tenham sido os primeiros a realizar a observação, em 1610, e sabe-se que Johannes Fabricius e Christoph Scheiner fizeram observações em 1611. Fabricius foi o primeiro a publicar os resultados, ainda em 1611, em seu De maculis in Sole observatis, que não encontrei na internet. O livro, aliás, permaneceu desconhecido por algum tempo depois de sua publicação. Neste meio tempo, Galileu deu a conhecer suas observações em Roma e, em 1612, empreendeu observações diligentes.

Thomas Harriot (1560-1621)

Desenhos de Harriot das manchas solares

Trailblazing da Royal Society

A Royal Society, celebrando seus 350 anos, lançou um novo site: Trailblazing. É possivel percorrer uma linha do tempo sobre descobertas científicas ligadas a academia e, o que de fato chama a atenção, é possível efetuar o download de artigos científicos e imagens de época. Abaixo duas imagens dos arquivos de 1665.

Transfusão de Sangue

Experimento no qual se mantém um cachorro vivo
pelo bombeamento artificial de ar



sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Segue links disponíveis para três tomos da obra completa de Francisco Suárez. Há duas edições da obra completa do autor. A primeira publicada em Veneza em 23 volumes, entre 1740 e 1757, e a segunda publicada em Paris pela Vives, em 28 volumes, entre 1856 e 1861. Há manuscritos descobertos depois destas publicações. Há, também, uma série de publicações modernas. Os textos listados abaixo referem-se a edição Vives.
  1. Tomo 11
  2. Tomo 12
  3. Tomo 18


O site Scholasticon, de Jacob Schmutz, mantém, atualizada até o ano de 2008, uma vasta bibliografia sobre Suárez.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Gilson. Porquoi Saint Thomas a critiqué Saint Augustin

Atualizei esta postagem sobre Gilson com a inclusão de links para duas outras obras: Le thomisme e a tradução inglesa Dante and Philosophy.

Gilson (1884-1974)

Os textos Porquoi Saint Thomas a critiqué Saint Augustin e Le thomisme pertencem a bibliografia complementar das minhas aulas de História da Filosofia Medieval da UFBA.





sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Retorno das Atualizações

Este blog permaneceu cerca de um ano sem atualizações. Parte deste tempo permaneci afastado de minhas atividades como professor da Universidade Federal da Bahia, em pesquisa de pós-doutorado.




Retomo as postagens agora, em novembro de 2009. As postagens anteriores a esta data podem estar com os links vencidos. Isto pode ocorrer com textos que hospedei no Mediafire.


Caso você tente baixar algum texto cujo link não mais funcione, me encaminhe um e-mail relatando o problema.

Bonum Enim Est Diffusivum Sui

Durante um longo período não atualizei este blog. Minha intenção era retirá-lo do ar, mas como ele continuava sendo acessado, não o fiz. Agora, retomo o blog com o intuito de listar, para os meus alunos da UFBA, textos de Tomás de Aquino disponíveis na internet. Robert Pasnau possui um site que também funciona como portal para o texto latino de Tomás disponível on-line. Note que apenas ofereço o link para os textos em seu local original de hospedagem.

Roberto Busa
Os textos latinos de Tomás mais freqüentes em sites na internet são os da Edição Busa. O jesuíta italiano Roberto Busa foi um dos pioneiros no uso de computadores para a realização de análise lingüística e literária. A partir de 1949, com patrocínio da IBM, por trinta anos ele produziu o Index Thomisticus, atualmente disponível para uso on-line.

A Edição de Busa pode ser encontrada nos sites de Joseph Magee e de Enrique Alarcón, co-responsável pela edição on-line do Index Thomisticus. O site de Magee traz, além do texto latino, traduções para diversas línguas, ordenada pela cronologia da obra de Tomás. Eis uma pequena amostra desse material:

De Ente et Essentia (1252-56)
Inglês
Summa contra Gentiles (1259-64)
Inglês
Summa Theologiae (1266-73)
Inglês
De Aeternitate Mundi (1270).
Inglês
De Motu Cordis (1270-71)
Latim e Inglês
Postilla super Psalmos (1272-73).
Latim e Inglês
Quaestio Disputata de Unione Verbi Incarnati (1272(?))
Latim-Inglês - art. 1
Latim-Inglês - art. 2
Latim-Inglês - art. 3
Latim-Inglês - art. 4


Leoninas
Os textos disponibilizados por Enrique Alarcón são, sempre que permitido, extraídos de edições leoninas. A Bibliotheque Nationale de France disponibiliza, para download, alguns volumes da Leonina. Como exemplo, segue alguns links diretamente para o download:

In De anima (v. 45, 1984)
De sensu et De memoria (v. 45)
De substantiis separatis super decretalem (v. 40, partes D-E, 1968)
Sententia libri ethicorum, Praefatio, Libri I-III (v. 47, 1969)
Sententia libri ethicorum, Libri IV-X (v. 47, 1969)
De malo (v. 23, 1982)

Thérèse Bonin mantém atualizado um site com links para uma gigantesca coleção de traduções inglesas disponíveis on-line, além da relação bibliográfica das traduções impressas. O Thomas Instituut te Utrecht disponibiliza mais de vinte links para obras de Tomás.

Quem deseja comprar textos de Tomás de Aquino, deve consultar a página de Stephen Loughlin.

sábado, 28 de junho de 2008

Recesso de Julho

Caros,
Não voltarei a publicar neste blog durante o recesso de julho.
Até agosto.

Márcio

Exame Final e Notas

Caros Alunos,
As notas das disciplinas de Filosofia da Ciência e História da Filosofia Medieval estão afixadas no mural do colegiado.
O Exame Final ocorrerá dia 07 de julho, no mesmo horário e na mesma sala de aula.
Bom final de semestre para todos!
Márcio

terça-feira, 20 de maio de 2008

Ocasionalismo no Aristotelismo Medieval

Divulgo a página de minha pesquisa sobre Ocasionalismo no Aristotelismo Medieval, financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (FAPESB).

Investigo o ocasionalismo nas tradições islâmica e latina da Filosofia Medieval aristotélica, bem como nas filosofias que inauguram o mecanicismo no início da Filosofia Moderna. O objetivo primeiro da pesquisa é entender o surgimento do tema, seja nas discussões anti-pelagianas que surgem em Agostinho e ressurgem em Oxford, no século XIV, envolvendo as noções de graça, natureza, predestinação e liberdade da criação, seja que surgem do contato entre as filosofias islâmica e latina sobre fatalismo e resignação a Deus; em ambos os casos o que está em questão é a possibilidade de qualquer empreendimento personalíssimo. O objetivo segundo da pesquisa é entender como essa discussão reaparece no século XVII, como uma denúncia dos limites do mecanicismo cartesiano.



Também participam da pesquisa os professores Tadeu Mazzola Verza (UFBA) e Sueli Sampaio Damin Custódio (UNIME-UFBA), além dos alunos José Edelberto Araújo de Oliveira (Mestrado em Filosofia - UFBA), José Portugal dos Santos Ramos (Mestrado - UFBA) e Giorlando Madureira Lima (Bolsa Fapesb de Iniciação Científica 2007-2008).

domingo, 18 de maio de 2008

A Filosofia de Poincaré

Henri Poincaré (1854-1912)

Segue uma relação de links para textos de Poincaré em formato pdf. As Leçons sur les hypothèses cosmogoniques e La science et l'hipothèse foram obtidos na nova Gallica, a bibliothèque numérique da Bibliothèque National de France. Vale notar que a nova Gallica ainda está em fase de testes e pode apresentar problemas na visualização de alguns arquivos. Para evitar tais problemas, hospedei os livros no Media Fire.






Os links abaixo são de responsabilidade da Académie de Nancy-Metz, do Ministério da Educação da França. Vale a pena visitar mensalmente a página da Académie, responsável pela divulgação digital de bibliografia em Filosofia, geralmente voltada para o exame francês de agrégation.

Morttelini. Reconstructing Lakatos

Para os Alunos do curso de Filosofia da Ciência interessados em fazer o trabalho final em Lakatos, recomendo o texto de Motterlini, apresentado no Centre for Philosophy of Natural and Social Science, da London School of Economics, casa de Lakatos.

sábado, 17 de maio de 2008

Maimônedes. Guia dos Perplexos

Segue uma nova postagem para os alunos de História da Filosofia Medieval interessados na discussão sobre atributos negativos.



segunda-feira, 10 de março de 2008

Laudan. Teorias do Método Científico


O texto Teorias do Método Científico, de Larry Laudan, é um levantamento minucioso da História da Ciência e da Filosofia com o intuito de sistematizar diversas abordagens da ciência, fornecendo as respectivas referências bibliográficas. O texto, traduzido por Balthazar Barbosa Filho, está disponível no site dos Cadernos de História e Filosofia da Ciência, editado pelo CLE-Unicamp.

Para conhecer um pouco mais sobre o trabalho de Laudan, consulte o verbete Historicist Theories of Rationality, da Stanford Encyclopedia of Philosophy.

Quine. Two Dogmas of Empiricism

Citei Quine em sala de aula como um possível encerramento de nosso semestre.


Segue o link de Two dogmas of empiricism, citado em sala, em formato html. As duas versões do texto publicadas em The Philosophical Review 60 (1951): 20-43, e em From a Logical Point of View (Harvard University Press, 1953, Ed. revista em 1961) são apresentadas lado a lado.

Links para Kuhn


Segue o link para o áudio da mesa-redonda sobre "Thomas Kuhn e as Revoluções Científicas", transmitido em 16 de agosto de 1996, pela National Public Radio. Compareceram:

Daniel Garber
Professor of Philosophy
University of Princeton

David Sloan Wilson
Professor of Biology
State University of New York

Eliene Augenbraun
American Association for the Advancement of Science
U.S. Agency for International Development

O áudio, em formato "ram" com duração de 48 minutos, requer Real Player e conexão rápida. Para maiores informações sobre Kuhn, clique aqui.

domingo, 9 de março de 2008

Lakatos. Science and Pseudoscience

Áudio e transcriçãoda aula de Lakatos transmitida pela BBC em 30 de junho de 1973. O arquivo mp3 possui 20 minutos de duração, aproximadamente.

Links para Popper


Há dois links interessantes sobre os assuntos das aulas sobre Popper. Um link sobre o problema da indução e outro, uma dissertação de mestrado defendida na UFPR e disponibilizada no site desta universidade: STUBERT, W. R. Explicação causal e indeterminismo na filosofia de Karl Popper. Também chamo a atenção para os verbetes Popper, Kuhn e Feyerabend da Stanford Encyclopedia of philosophy e para o site dedicado a Lakatos.

Feyerabend Contra o Método


Segue, abaixo, o link para o texto em língua portuguesa a ser trabalhado em sala de aula.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Programas das Disciplinas de 2008/01

Publico os programas de aulas das minhas disciplinas deste primeiro semestre de 2008.

Filosofia da Ciência


História da Filosofia Medieval

Filosofia da Ciência

Disponibilizo abaixo a bibliografia básica de minha disciplina. O link está protegido por senha distribuída em sala de aula.

História da Filosofia Medieval

Disponibilizo no link abaixo os textos da bibliografia básica de minha disciplina de História da Filosofia Medieval. O link está protegido por senha fornecida em sala de aula.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Notícia

Caros

Informo-lhes que não haverá aula dias 29 e 31 de outubro, nem na graduação, nem na pós, em virtude do VII Colóquio de História da Filosofia da Natureza, a ser realizado em Campinas. Pelo mesmo motivo, só publicarei novamente neste blog dia 8 de novembro.

Saudações cordiais,
Márcio

domingo, 7 de outubro de 2007

Pierre Duhem e a História da Ciência

A História da Ciência, tal qual a conhecemos nos departamentos de filosofia no Brasil, foi sistematizada por Pierre Duhem, no final do século XIX e início do século XX. Francês, católico, Duhem lutou contra o conceito de revolução científica, que opõe a ciência laica do século XVII à ciência aristotélico-cristã. Para tanto, defendeu a tese de que a ruptura com os modelos antigos de ciência começou com a condenação de teses aristotélicas pelo bispo de Paris, Etienne Tempier, em 1277.

Entre as teses condenadas, sustenta Duhem, encontravam-se equívocos que impediam o progresso da física. Este era o caso da opinião condenada, segundo a qual Deus não poderia mover o Mundo com movimento retilíneo, deixando um vazio no lugar de origem; também era o caso para a opinião condenada, segundo a qual Deus não poderia criar diversos mundos. As condenações teriam destruído as fundações do sistema físico aristotélico, que não admitia a existência do vazio na natureza e tão pouco admitia que os corpos celestes pudessem se mover com movimento retilíneo; ademais, a possibilidade da pluralidade dos mundos também não era admitida, por ser incompatível com o conceito de lugar natural.

O abandono dos fundamentos da física aristotélica só teria sido possível, segundo Duhem, graças ao apelo à noção de onipotência divina. Assim, ao mesmo tempo em que Tempier forçou o abandono dos fundamentos, abriu o caminho para a investigação de novas leis da natureza. Graças a Tempier, Richard de Middletown (? - 1295) e, depois dele, Nicole Oresme (? - 1382), o monge representado na iluminura abaixo, e Jean Buridan (? - após 1365) em Paris, Thomas Bradwardine (circa 1290-1349) e os "Calculadores do Merton College", em Oxford, argumentaram sobre o vazio, o movimento no vazio e deram um novo rumo à mecânica, lançado as bases da dinâmica.
A tese de Duhem não parece coadunar com a real importância da condenação, que rapidamente caiu em letra morta e que, ademais, só teve efeito no interior do bispado de Paris. Ademais, ela nos coloca diante de um desconforto moral: que o progresso científico e toda a física moderna teriam se originado de um golpe de força contra a liberdade de expressão.
A despeito de sua tese sobre o início da ciência moderna na Paris do século XIII, que hoje recebe pouco apoio da comunidade acadêmica, encontra-se em Duhem um trabalho sistemático das fontes primárias e uma concepção historiográfica que se assenta sob o signo da continuidade histórica, por oposição às idéias de revolução histórica. Entre os historiadores, Duhem deixou de ser o centro das atenções depois dos textos de Thomas Khun, mas entre os historiadores da filosofia, ele é referência pela meticulosidade do trabalho com manuscritos e livros antigos.

Disponibilizo, abaixo, duas obras de Duhem, seus Études sur Leonard de Vinci e Les Origine de la Statique. A fonte digital é da Gallica, pertencente a Bibliothèque Nationale de France. Os textos disponibilizados pela instituição francesa encontram-se com direitos autorais vencidos.

Duhem. Etudes sur Leonard de Vinci I


Duhem. Etudes sur Leonard de Vinci II


Duhem. Etudes sur Leonard de Vinci III


Duhem. Les origines de la estatique I


Duhem. Les origines de la estatique II


quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Fontes de Grego

Disponibilizo, abaixo, links para quatro fontes true type que permitem trabalhar com a língua grega em processadores de texto.

Achille Achille2 Sgreek Plat2