Entre as teses condenadas, sustenta Duhem, encontravam-se equívocos que impediam o progresso da física. Este era o caso da opinião condenada, segundo a qual Deus não poderia mover o Mundo com movimento retilíneo, deixando um vazio no lugar de origem; também era o caso para a opinião condenada, segundo a qual Deus não poderia criar diversos mundos. As condenações teriam destruído as fundações do sistema físico aristotélico, que não admitia a existência do vazio na natureza e tão pouco admitia que os corpos celestes pudessem se mover com movimento retilíneo; ademais, a possibilidade da pluralidade dos mundos também não era admitida, por ser incompatível com o conceito de lugar natural.
O abandono dos fundamentos da física aristotélica só teria sido possível, segundo Duhem, graças ao apelo à noção de onipotência divina. Assim, ao mesmo tempo em que Tempier forçou o abandono dos fundamentos, abriu o caminho para a investigação de novas leis da natureza. Graças a Tempier, Richard de Middletown (? - 1295) e, depois dele, Nicole Oresme (? - 1382), o monge representado na iluminura abaixo, e Jean Buridan (? - após 1365) em Paris, Thomas Bradwardine (circa 1290-1349) e os "Calculadores do Merton College", em Oxford, argumentaram sobre o vazio, o movimento no vazio e deram um novo rumo à mecânica, lançado as bases da dinâmica.
A tese de Duhem não parece coadunar com a real importância da condenação, que rapidamente caiu em letra morta e que, ademais, só teve efeito no interior do bispado de Paris. Ademais, ela nos coloca diante de um desconforto moral: que o progresso científico e toda a física moderna teriam se originado de um golpe de força contra a liberdade de expressão.
A despeito de sua tese sobre o início da ciência moderna na Paris do século XIII, que hoje recebe pouco apoio da comunidade acadêmica, encontra-se em Duhem um trabalho sistemático das fontes primárias e uma concepção historiográfica que se assenta sob o signo da continuidade histórica, por oposição às idéias de revolução histórica. Entre os historiadores, Duhem deixou de ser o centro das atenções depois dos textos de Thomas Khun, mas entre os historiadores da filosofia, ele é referência pela meticulosidade do trabalho com manuscritos e livros antigos.
Disponibilizo, abaixo, duas obras de Duhem, seus Études sur Leonard de Vinci e Les Origine de la Statique. A fonte digital é da Gallica, pertencente a Bibliothèque Nationale de France. Os textos disponibilizados pela instituição francesa encontram-se com direitos autorais vencidos.
Disponibilizo, abaixo, duas obras de Duhem, seus Études sur Leonard de Vinci e Les Origine de la Statique. A fonte digital é da Gallica, pertencente a Bibliothèque Nationale de France. Os textos disponibilizados pela instituição francesa encontram-se com direitos autorais vencidos.